Por um passeio mais prazeroso
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Por um passeio mais prazeroso

Atualizado: 25 de Jan de 2019

Alguns mitos sobre o passeio com cães podem atrapalhar essa parte tão importante do cotidiano


Por Juliana Nishihashi




Glinis ama demais seu equipamento de passeio!

Um dos grandes momentos da relação cão-tutor, na minha opinião, é o passeio. É o momento onde podem caminhar, se exercitar, conhecer novos lugares, e principalmente, trabalhar na comunicação e fortalecer vínculos. Mas o ato de passear com cães também é cheio de pré-concepções e mitos, que não correspondem a realidade, e leva alguns tutores a cometerem deslizes nesse momento tão fundamental e divertido para cães e humanos.


Listei algumas situações problemáticas bem corriqueiras que encontramos no treinamento de famílias e cães:


Acreditar que todo cão gosta de andar – acredite: nem todo cão curte andar, muito menos na cidade, na calçada apertada com pessoas, carros, barulhos. E ainda há os que não são tão atléticos, e em 10 minutos já demonstram desânimo. Primeiro, cheque com o vet se a causa para o desânimo não é de saúde; caso negativo, pense em porquê o cão está desmotivado: talvez fique assustado com as distrações por não ter sido sociabilizado na infância, talvez o local não seja interessante ou permita o relaxamento do cão; talvez simplesmente a duração do passeio não é adequada ao cão! Muitos tutores acreditam que longas caminhadas em passos rápidos são o exercício ideal para todos os cães. Esse é um conceito errado! Caso o cão tenha menos resistência física e já demonstre cansaço ou desestímulo, um passeio mais curto, a passos lentos, permitindo que o cão fareje e interaja com o ambiente, pode ser o passeio perfeito! Outros cães curtem caminhar mais, com passos um pouco mais rápidos. O importante é entender que nem todo cão tem perfil para ser maratonista!


Não ensinar o cão a usar coleira e guia antes do primeiro passeio – a guia e a coleira são invenções humanas, não podemos nos esquecer! Nenhum cão “vem de fábrica” sabendo para que servem e como utilizá-los! Portanto, um dos primeiros ensinamentos para filhotes é que a coleira e a guia são super legais! Elas não podem representar medo (nada de sair correndo atrás do pet para laçá-lo com a coleira), desconforto (cuidado com os puxões para “incentivar” o cão a andar, caso empaque), muito menos bronca (quanto cães recebem punições por fazer da guia um cabo-de-guerra ou por tentarem puxar para se desvencilhar dela!). Devemos iniciar o treino em casa, muito antes do cão ser liberado pelo vet para andar na rua!

Colocar a coleira com ajuda de um petisco, atar a guia gentilmente e incentivar o cão a andar mostrando um outro petisco, é uma forma de ensinar para que servem esses acessórios.

Achar que passeio é andar com o cão colado na perna, sem parar, sem farejar – há muito tempo esse conceito existe e já é hora de acabar! Passeio não significa andar com o cão com a cabeça colada na altura do joelho, com a guia de 50cm tensa, sem permitir que o cão olhe para os lados ou fareje! O passeio é para o cão - ele deve desempenhar comportamentos naturais à espécie: cheirar, urinar, defecar, marcar território com mais urina, observar estímulos visuais, cheirar mais, interagir com o ambiente (até rolar na lama vale!). É claro que tudo isso precisa de regras, para que o passeio seja calmo e organizado. Mas as regras devem permitir que o cão faça esses comportamentos naturais.


Deixar o cão puxar, latir, pular em todos, afinal “ele está se divertindo assim” – da mesma forma que o passeio não deve ser uma “prisão” para o cão, onde ele nada pode, também não pode ser um “circo”, onde o cão se descontrola e o tutor não consegue se comunicar com ele e acalmá-lo. Passeio bom tem liberdade, diversão, mas limites impostos de forma positiva – não é necessário dar broncas –e muita comunicação entre tutor e cão. É preciso ensinar como desejamos que o cão se comporte em público! Um cão descontrolado no passeio precisa treinar dentro de casa, aprender a se auto-controlar e prestar atenção no tutor, para poder sair na rua com mais tranquilidade. Um passeio agitado é prejudicial às pessoas que estão no espaço (um tropeção numa guia esticada, um pulo que derruba, uma mordida...), ao tutor (que além desses problemas, ainda tem a dor de cabeça por não controlar o cão), mas principalmente ao próprio cão – o estresse de um passeio descontrolado todo dia pode causar danos físicos aos cães, além dos problemas comportamentais!


Dar trancos, enforcar ou cutucar para corrigir maus comportamentos - como já falei, broncas durante o passeio não estão com nada. Primeiro, podem transformar a saída num momento tenso e perigoso para o cão; segundo, não ensinamos nada efetivamente com elas – simplesmente punimos coisas “aleatórias”. E outra questão muito comum, alguns cães com excesso de excitação parecem “imunes” às broncas – mesmo que o tutor grite, berre, enforque, o cão permanece no comportamento indesejado. Isso acontece pois o cão já saiu do controle faz tempo, já está totalmente ansioso, e é praticamente impossível contornar uma situação extrema assim.

Por isso repito: ensinar dentro de casa, com poucas distrações e muitas recompensas. Começar gradualmente a sair para treinar na rua, em local calmo. Depois evoluir. Totalmente sem necessidade de correções!

Sair com vários cães, de diferentes idades, portes e necessidades, ao mesmo tempo – você levaria uma criança de 2 anos no mesmo passeio que um pré-adolescente de 12 anos? Não, né! Então, porque muitas vezes insistimos em caminhar com cães de perfis diferentes ao mesmo tempo? Não estou dizendo que é impossível que cães diferentes andem juntos, mas muitas vezes, os perfis são tão incompatíveis que se torna uma tarefa complicadíssima. Portanto, na maioria dos casos, é mais prático agrupar indivíduos parecidos para caminharem juntos - e nunca em grupos enormes, ok?


Não observar as preferências do cão durante o passeio – seu cão gosta de andar pela grama? Prefere cheirar com mais afinco alguns locais? Anda mais rápido ou devagar? É necessário ajustar as preferências do cão ao passeio do cotidiano: se seu cão prefere andar na grama, leve-o mais vezes numa praça para que haja o passeio seja mais proveitoso. Muitos cães não gostam de caminhar entre muitas pessoas, não conseguem relaxar, então opte por caminhos e horários mais vazios. Não insista em levar o cão a locais onde ele não vai aproveitar, afinal, o passeio também precisar agradá-lo!


Não encarar o passeio como uma habilidade a ser treinada – todos os cães precisam ser treinados para caminhar com guia e coleira, antes de efetivamente sairem para passear em locais públicos. Essa habilidade não é inata nos cães. Muitos tutores que tem problemas durante o passeio se resignam diante da ideia de que seus cães “não servem para andar na rua”, e infelizmente é comum vermos cães que não caminham há anos.

Mas isso pode ser modificado quando encaramos o passeio com guia como uma habilidade a ser treinada – com reforço positivo, paciência, e respeito às particularidades de cada cão, todos podem, à sua moda, curtir um passeio em família.

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