Falando sobre latidos
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Falando sobre latidos

parte2


Por Juliana Nishihashi


Glinis late quando está muito agitada

Leia a parte 1 sobre este tema aqui

Uma ferramenta muito útil no tratamento de latidos é o enriquecimento ambiental (EA). Não importa qual o motivo do latido, certamente o consultor comportamental vai sugerir que a família capriche no EA todos os dias. Para cães ansiosos, ajudará a gastar energia e criar foco numa atividade positiva e calma. Para cães que latem por tédio (como no exemplo que dei no início do texto), o EA vai preencher a lacuna de atividades não deixando que o latido seja a única diversão pro cão. Para cães que latem por medo ou mesmo agressividade, o EA vai aumentar qualidade de vida e bem estar, liberar hormônios que vão ajudar o cérebro do cão a se tranquilizar, ajudando na modificação comportamental.


Um ponto importantíssimo que é pouco falado é a restrição de espaço para evitar latidos, durante o treinamento. Se o cão late para pessoas na rua, não deve ter visão pelo portão ou janelas; se late para aspirador de pó ou máquina de lavar, deve ficar longe destes objetos; se o som da campainha é gatilho, pode-se reduzir o volume e deixá-lo longe da fonte de som, etc.

Parece óbvio para alguns. Para outros, evitar o acesso aos gatilhos parece “trapaça” – mas é claro que ele não vai latir para cães na rua se não puder ver! E é exatamente isso que precisamos para o treino dar certo – um “reset” na mente do cão; ele pára de praticar o comportamento inadequado, enquanto ensinamos um comportamento melhor.


Exemplificando: um cão que late para cães no portão. Momentaneamente, retiramos o acesso ao portão. Oferecemos diversos enriquecimentos ambiental e atividades divertidas onde o cão estiver. Em situações programadas de treino, cão e tutor vão até o portão para os exercícios de dessensibilização e contra-condicionamento. Será recompensado por olhar para os estímulos e permanecer em silêncio. Encerrados os treinos programados, retiramos novamente o cão do portão, para que não fique praticando o comportamento indesejado.


Quando o excesso de latido acontece quando o cão está sozinho, o primeiro passo é compreender exatamente o porquê dos latidos. Como já mencionei, pode ser alerta a um estímulo visual ou sonoro, latido de tédio e ócio pois o cão só tem atividades quando humanos estão junto, ou ainda a temida ansiedade por separação. Geralmente, o tipo de latido quando o cão não sabe ficar sozinho é bastante característico – latidos cadenciados, com algumas pausas, porém ritmado, em alguns momentos latidos mais agudos intercalados até com choros ou uivos. Alguns tutores ficam em dúvida, então pedimos que filmem o cão sozinho, para nos certificarmos do diagnóstico observando a postura corporal do cão e sua interação com o ambiente (urina/defeca em lugares errados, anda de um lado para o outro, destrói objetos?).


Na nossa metodologia, nunca punimos o cão por latir, independente da motivação, mas é especialmente importante frisar isso nos casos de ansiedade por separação

– o cão já está em pânico por ficar sozinho, tentando chamar alguém, e ainda é punido por tentar se comunicar, é estresse demais. No caso de latidos deste tipo, o tratamento envolve mudanças profundas na rotina da casa, na forma de lidar com o cão, treinando sua independência e melhorando a qualidade de vida, que vão resultar em mais calma, associações positivas com a solidão e por fim, na interrupção dos latidos.


Podemos perceber que tratar problemas com latidos pode ser complexo, pois eles são sintomas de diversos problemas, e não o problema em si. De forma geral, é importante dar vazão à energia do cão diariamente, trabalhar a comunicação e auto controle com truques e comandos, dessensibilizar gatilhos específicos e reforçar todo e qualquer comportamento calmo, além de não recompensar momentos de latidos fora de contexto. As orientações e sugestões acima podem ajudar, mas para ajuda especializada e individualizada, conte com a consultoria da Cão Com Manteiga!

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